segunda-feira, 30 de abril de 2012

Marketing Digital e geração de conteúdo


Alguns segredos do Marketing de Conteúdo

A criação e distribuição de conteúdos, ou o que é chamado de anglo-saxões termos “marketing de conteúdo” está vivendo uma época de ouro. A Internet e a facilidade com que podemos gerar e distribuir conteúdo valioso para “trabalhar” em benefício de nossa marca tem feito milhares de empresas ao redor do mundo fortemente abraçar esta modalidade. Agora, o que exatamente é o conteúdo? Ou em outras palavras, que tipo de conteúdo que uma empresa deve promover? Neste artigo, vamos explicar os tipos de conteúdo e suas principais diferenças.
Do ponto de vista estratégico, precisamos entender o ”Marketing de Conteúdo” como mais do que um post em nosso blog corporativo, mais de um whitepaper publicado ao longo do tempo. O marketing de conteúdo deve incluir um conjunto completo de ações destinadas a beneficiar a nossa empresa ao longo do tempo.
Temos de ser capazes de entender e criar conteúdo que corresponde aos termos e Pontos-chave do nisso nicho de mercado, as habilidades necessárias para entender o nicho, e para entender como ele difere do nosso concorrente. Vamos ver que tipo de conteúdo que estamos falando.
Fonte: Internet

QUAL É A SUA MENSAGEM CENTRAL?
Algumas empresas cometem o erro de criação de conteúdo para o único propósito de criação de conteúdo. Eles não têm um plano concreto e só escrevem posts de forma aleatória e, em seguida, publicam no site da empresa.
Antes de embarcar em uma campanha de marketing de conteúdo, você tem que avaliar o conhecimento que você tem e se tem ou não uma audiência on-line para esse conteúdo. Pergunte-se: “Para transmitir quais mensagens estou mais qualificado?”.

QUEM É MEU PÚBLICO-ALVO E ONDE ELE ESTÁ
Você pode criar o melhor som do mundo, mas será inútil a menos que o jogue em direção às pessoas certas. Isso não é novidade – mas é um erro que muitas empresas fazem quando publicam conteúdo.
Quanto maior o público que atingir, maior será o impacto da sua mensagem. É muito mais eficaz dirigir uma única mensagem para um público específico ou criar várias mensagens, cada uma projetada para impactar um público específico.

CONTÉUDO QUE CONSTRÓI A CONFIANÇA
Um dos nossos principais objetivos ao criar conteúdo, deve ser construir a ponte entre o ser conhecido para se tornar uma marca que você pode confiar. Enquanto SEO pode ajudar a construir o primeiro pilar será o conteúdo de qualidade que irá cimentar o resto. Nesta seção, vamos encontrar:
·       Conteúdo How-To: guias ou artigos em que se dão conselhos ou explicar como podemos fazer mais de um produto ou serviço.
·       Comentários: coletar e publicar comentários que os nossos clientes e usuários da web postaram em diferentes ambientes.
·       Testemunhos: publicação de testemunhos e opiniões de nossos clientes e assim construir a confiança.
·       Artigos: Se tivermos tempo, podemos escrever para outros sites, publicações, revistas o mesmo no nicho da nossa empresa.

CONTEÚDO GERADO PELOS NOSSOS CLIENTES
Envolver nossos clientes na geração de conteúdo aumenta sua lealdade e fidelidade, para criar uma comunidade em torno de nossa marca e melhorar os nossos resultados.
·       Referências e comentários: Incentivar os clientes a escrever sobre nós em outros sites. Para gerar discussão em torno de temas específicos, para engajá-los em uma conversa que gira em torno de nossa marca.
·       Histórias de sucesso: quando um cliente está realmente satisfeito com o serviço que nós fornecemos, podemos convencê-lo a participar de uma “história de sucesso”, destacando o cliente no uso do seu produto.

CONTEÚDO GERADO POR OUTRO
Uma das coisas mais importantes que se tem que levar em conta é que atualmente ninguém gosta de ser constantemente bombardeado com publicidade, auto-elogio e autopromoção. Nós não somos os únicos capazes de gerar conteúdo de qualidade, e se criar a comunidade em que a publicidade e autopromoção se destacada demais, teremos sérios problemas. Devemos criar conteúdos como:
·       RSS personalizados: Começamos por criar um feed RSS que reúne as principais fontes de informações e notícias o nicho de mercado.
·       Share: Compartilhar conteúdo de outros na nossa página de Facebook, retweets que os outros dizem, e geralmente reconhecem a qualidade do conteúdo criado por outras pessoas ou empresas, é uma das melhores maneiras de construir a confiança e se engajar na comunidade.
·       Ferramentas como Storify, por exemplo, nos permitem gerar um artigo baseado no que está sendo dito em sites de redes sociais sobre um determinado tema. Com um pouco de paciência, capacidade analítica e de concentração, podemos criar grandes histórias com base em questões e preocupações compartilhadas pelos nossos clientes.

CONTEÚDO QUE CONVERTE
Se até agora têm falado de conteúdo que nos ajuda a nos posicionar como uma marca, nesta seção temos que incluir o tipo de conteúdo que muitas vezes se traduz em vendas, ou seja, lá o que é o conteúdo, que converte.
·       Eventos: participar ativamente em eventos, conferências e seminários. é uma das melhores formas não apenas de nos fazer conhecidos, mas para vender a nossa ideia.
·       Resultados: nada fala mais de nós que a evidência de um trabalho bem feito e resultados concretos. O fornecimento dessas informações pode ajudar a valorizar a nós mesmos mais positivamente como uma opção.

USE DADOS EM TEMPO REAL PARA DESCOBRIR AS TENDÊNCIAS
 A Web em tempo real é o barômetro final para notícias e eventos. Examine dados em tempo real, tanto externos (por exemplo, as tendências do Twitter) e internos (por exemplo, as visitas ao seu site para uma determinada pesquisa). busca.
No marketing de conteúdo, a marca não é apenas um objeto de segundo plano, pois faz parte de todo o planejamento de um roteiro de cinema ou televisão, e sua interação entre elenco e apresentadores . Quando uma marca de cerveja aparece na mesa de um personagem de novela, o anunciante deixa de ser apenas um anunciante, e passa a ser considerado um co-produtor, pois seu produto está incorporado ao roteiro.
E pra terminar, tenha em mente que, se você planeja usar o seu conteúdo como uma ferramenta de marketing, então você tem de se comprometer a fornecer um fluxo constante de conteúdo. Um artigo ou vídeo não é uma estratégia de conteúdo… é um tiro no escuro. A falta de conteúdo na maioria das vezes é considerado uma falta grave, ninguém gosta de visitas sites que não tem nada de novo a oferecer.

domingo, 29 de abril de 2012

Estudo identifica 10 "megaforças" sustentáveis que afetarão o crescimento das empresas

Empresas e formuladores de políticas devem tomar decisões conjuntas e agir diante desse cenário


Uma nova pesquisa da KPMG International identificou 10 "megaforças" que afetarão, de maneira significativa, o crescimento das empresas de modo global nas próximas duas décadas. O estudo "Espere o inesperado: construindo valor para os negócios em um mundo em mudança" ("Expect the unexpected: building business value in a changing world") explora questões como as mudanças climáticas, volatilidades relacionadas ao suprimento de energia e combustíveis, disponibilidade e custo da água e de outros recursos, assim como problemas relacionados ao crescimento demográfico dos centros urbanos.
A análise examina como estas forças globais podem ter impacto sobre os negócios e indústrias, calcula os custos ambientais dos negócios e convoca empresas e formuladores de políticas a conjugar esforços para mitigar futuros riscos para os negócios e tomar atitudes imediatas frente às oportunidades.
De acordo com Michael Andrew, presidente da KPMG International, "estamos vivendo em um mundo com recursos limitados. O rápido crescimento de mercados em desenvolvimento, mudanças climáticas e questões de segurança energética e água estão entre as forças que exercerão enorme pressão sobre os negócios e a sociedade. Nós sabemos que os governos sozinhos não podem enfrentar esses desafios. As empresas devem assumir um papel de liderança no desenvolvimento de soluções que ajudarão a criar um futuro mais sustentável. Ao alavancar suas capacidades de melhorar os processos, criar eficiências, gerenciar riscos e promover inovação as empresas contribuirão com a sociedade e com o crescimento econômico no longo prazo".
A pesquisa da KPMG considera que os custos ambientais externos (que muitas vezes não são indicados nas demonstrações financeiras, pois seus portadores podem ser indivíduos ou a sociedade como um todo, sendo também geralmente não-monetários e problemáticos para serem quantificados como valores monetários) de 11 setores-chave da indústria subiram 50%, de US$ 566 bilhões para US$ 846 bilhões em oito anos (de 2002 a 2010), duplicando assim em média a cada 14 anos.

Imagem: Thinkstock


O relatório calculou que, se as companhias tivessem que pagar por todo o custo ambiental de sua produção, elas perderiam em média US$ 0,41 a cada US$ 1,00 em ganhos. Yvo de Boer, assessor especial da KPMG Global para assuntos de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade, afirma que as "megaforças" de sustentabilidade global aumentarão, de maneira significativa, a complexidade do ambiente de negócios.
"Sem ação e planejamento estratégicos, os riscos se multiplicarão e serão perdidas oportunidades. As corporações estão reconhecendo que há valor e oportunidade na responsabilidade que vai além dos resultados do próximo trimestre, e que o que é bom para as pessoas e para o planeta também pode ser bom para os resultados no longo prazo e para a geração de valor aos acionistas", avalia Yvo de Boer.
No Brasil, que tem a responsabilidade de organizar a Conferência Rio+20 em junho e é hoje referência mundial em ações de sustentabilidade, o avanço das exigências sobre a atuação responsável e sustentável das empresas tem evoluído significativamente, o que exige grande atenção do mundo corporativo. "O cumprimento dos compromissos assumidos internacionalmente pelo Brasil em relação à construção de condições adequadas para reduzir impactos sobre o meio ambiente certamente terá de contar com a participação ativa e decisiva das empresas brasileiras, e esse será o grande desafio imposto ao mundo corporativo nos próximos anos, que exigirá cada vez mais eficiência na gestão de custos e de processos", explica Sidney Ito, sócio-lider da área de Riscos e de Sustentabilidade da KPMG no Brasil.
John B. Veihmeyer, head da KPMG nas Américas e presidente e CEO da KPMG LLP, dos Estados Unidos, avalia que firma global assumiu um papel de liderança no auxílio às organizações em compreender a oportunidade da equação que envolve a sustentabilidade, e não apenas o risco. "Os clientes da KPMG e outros estão vendo a conexão entre sustentabilidade e resultados financeiros se tornar cada vez mais clara. As companhias que reconhecem as influências externas em suas organizações e as aproveitam como oportunidades estão percebendo uma vantagem competitiva", diz o executivo.
O estudo foi divulgado na abertura do evento KPMG Summit: Business Perspective for Sustainable Growth – Preparing for Rio+20 (Encontro de cúpula da KPMG: Perspectiva de negócios com crescimento sustentável: Preparando-se para a Rio+20), que ocorreu de 14 a 16 de fevereiro, em Nova York (EUA). O evento atraiu mais de 400 líderes empresariais das maiores corporações do mundo, assim como alguns dos principais formuladores de políticas ambientais e foi organizado pela KPMG International em cooperação com o Pacto Global das Nações Unidas (UNGC), o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP).
· Mudanças climáticas: Esta deve ser a única "megaforça" global que impacta diretamente sobre as outras. As estimativas de perdas anuais devido às mudanças climáticas variam de 1% ao ano, se ações fortes e imediatas forem tomadas, até 5% ao ano, se os formuladores de políticas não agirem rapidamente.
· Energia e combustíveis: Os mercados de combustíveis fósseis tendem a se tornar mais voláteis e imprevisíveis devido: à maior demanda global por energia; a mudanças no padrão geográfico de consumo; às incertezas de fornecimento e consumo; e ao aumento de intervenções regulatórias relacionadas às mudanças climáticas.
· Escassez de recursos materiais: Como os países em desenvolvimento se industrializam rapidamente, a demanda global por recursos materiais deve aumentar drasticamente. Os negócios devem enfrentar restrições comerciais crescentes e intensa competição global por uma ampla gama de recursos que se tornam menos disponíveis. A escassez também cria oportunidades para que sejam desenvolvidos materiais substitutos ou para que se recupere materiais a partir de resíduos.
· Escassez de água: A previsão é de que, em 2030, a demanda global por água fresca excederá as provisões em 40%. As empresas estarão vulneráveis ao racionamento de água, à queda da qualidade da água, à volatilidade dos preços da água e a riscos de reputação.
· Crescimento populacional: A população mundial deve alcançar 8,4 bilhões em 2032. Isto deixará os ecossistemas e o fornecimento de recursos naturais, como comida, água, energia e materiais, sob pressão intensa. Se, por um lado, isto é uma ameaça aos negócios, também há oportunidades de crescimento do comércio, de geração de empregos e de criação de inovações para atender às necessidades de agricultura, saneamento, educação, tecnologia, finanças e saúde das populações crescentes.
· Riqueza: Estima-se que a classe média global (definida pela OCDE como indivíduos com rendimento disponível entre US$ 10 e US$ 100 per capita ao dia) cresça 172% entre 2010 e 2030. O desafio para as empresas é atender a este novo mercado de classe média em uma época em que os recursos tendem a ser mais escassos e voláteis. As vantagens da "mão de obra barata", que muitas companhias experimentaram nas nações em desenvolvimento nas últimas duas décadas, tendem a ser corroídas pelo crescimento e o poder da classe média global.
· Urbanização: Em 2009, pela primeira vez, um maior número de pessoas vivia em cidades do que no campo. Até 2030, todas as regiões em desenvolvimento, incluindo a Ásia e a África, devem ter a maioria de seus habitantes vivendo em áreas urbanas. Praticamente todo o crescimento populacional, nos próximos 30 anos, será nas cidades. Estas cidades exigirão melhorias extensas na infraestrutura, incluindo construção, fornecimento de água e saneamento, eletricidade, gestão de resíduos, transporte, saúde, segurança pública e conectividade de internet e telefonia.
· Segurança alimentar: Nas próximas duas décadas, o sistema global de produção de alimentos estará sob crescente pressão das "megaforças", incluindo o crescimento populacional, escassez de água e desmatamento. Os preços globais de alimentos devem aumentar de 70% a 90% até 2030. Em regiões com escassez de água, os produtores agrícolas provavelmente terão que competir por provisões com outras indústrias que exigem muita água, como utilidades elétricas e mineração, e com consumidores. Será necessária uma intervenção para reverter o crescimento da escassez localizada de alimentos (o número de pessoas cronicamente subnutridas subiu de 842 milhões, no final dos anos 1990, para mais de 1 bilhão, em 2009).
· Declínio do ecossistema: Historicamente, o principal risco para os negócios no declínio dos serviços de biodiversidade e ecossistema tem sido a reputação das corporações. No entanto, como ecossistemas globais mostram crescentes sinais de colapso e estresse, um número maior de companhias está percebendo o quanto suas operações dependem dos serviços críticos que estes ecossistemas fornecem. O declínio dos ecossistemas está tornando os recursos naturais mais escassos, mais caros e menos diversificados, aumentando os custos da água e intensificando o dano causado por espécies invasivas em setores como agricultura, pesca, alimentação e bebidas, medicamentos e turismo.
· Desmatamento: Florestas são grandes negócios: produtos de madeira movimentaram US$ 100 bilhões por ano entre 2003 e 2007, e o valor de outros produtos derivados das florestas, em sua maioria alimentos, foi estimado em US$ 18,5 bilhões em 2005. No entanto, a OCDE prevê que as áreas florestais irão diminuir 13% globalmente, entre 2005 e 2030, principalmente no sul da Ásia e da África. A indústria madeireira e as indústrias de derivados, como papel e celulose, estão vulneráveis a uma potencial regulamentação para reduzir ou reverter o desmatamento. As companhias também podem vir a perceber que estão sob crescente pressão de clientes para provar que seus produtos são sustentáveis pelo uso de padrões de certificação. Oportunidades de negócios devem surgir a partir do desenvolvimento de mecanismos de mercado e incentivos econômicos para reduzir o desmatamento. 
Fonte: www.administradores.com.br

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Como o online muda o offline


ENTREVISTA / HOWARD RHEINGOLD
Como o online muda o offline

Fonte: Internet
Por Alexandre Matias em 24/04/2012 na edição 691
Reproduzido do suplemento “Link” do Estado de S.Paulo, 23/4/2012/ intertítulos do OI

Howard Rheingold escreveu um livro sobre comunidades virtuais quando a internet ainda saía da fase dos BBSs e fóruns frequentados por acadêmicos e entusiastas da nova mídia. The Virtual Community, de 1993, não só funcionou como guia teórico sobre o funcionamento cultural da internet exatamente no momento em que ela começava a se popularizar, como consolidou a importância do escritor como visionário digital.
Na época, ele já tinha passado pelo mítico laboratório PARC da Xerox (berço de grande parte dos itens da computação pessoal que usamos até hoje, como a interface gráfica e o mouse) e havia publicado outros dois livros: Out of the Inner Circle: A Hacker’s Guide to Computer Security (Fora do Círculo Interior: Um Guia sobre Segurança de Computadores para Hackers, em tradução livre) ao lado de Bill Landreth e Tools for Thought: The History and Future of Mind-Expanding Technology (Ferramentas para o Pensamento: A História e o Futuro da Tecnologia de Expansão da Mente), ambos publicados em 1985. Nenhum teve edição brasileira, nem os que foram lançados depois.
De lá para cá, estabeleceu-se como cronista do mundo digital e futurista do comportamento online, aura consolidada com suas colunas para o jornal San Francisco Examiner nos anos 90. Em 2002 escreveu seu visionário livro Smart Mobs: The Next Social Revolution (Multidões Inteligentes: A Próxima Revolução Social),que já antevia os movimentos populares e organizados online que ocorreram no ano passado, como a Primavera Árabe e o movimento Occupy Wall Street.
Rheingold vem ao Brasil para falar de seu quinto livro, Net Smart: How to Thrive Online (Esperteza de Rede: Como Prosperar Online), lançado no mês passado, durante o festival Arte.mov, que é realizado nesta semana em Belo Horizonte. O Link conversou com ele por e-mail sobre as mudanças políticas e sociais que estão acontecendo graças à nova realidade digital.

“A inovação depende da natureza aberta da internet”

Qual sua visão sobre as redes sociais, do ponto de vista de um dos pioneiros das comunidades virtuais?
Howard Rheingold– Na minha opinião, redes sociais como o Facebook são uma espécie de bênção mista. Elas permitem que as pessoas se conectem entre si, embora, em alguns casos, isso não é um benefício positivo, Basta lembrar das pessoas chatas que você deixou para trás quando mudou de casa, escola ou emprego. As rede sociais também tornam muito mais fácil compartilhar informação com pessoas com quem mantemos vínculos sociais. Este aspecto fortalece o tal “capital social” – a capacidade de grupos conseguirem atingir metas coletivas fora de instituições formais como contratos, leis, governos – que depende de “redes de confiança e normas de reciprocidade” de acordo com sociólogos. Contudo, tais serviços não fazem aquilo que era feito em comunidades virtuais que permitiram o crescimento rápido da internet e que tornavam possível conectar pessoas com interesses em comum mas que não se conheciam. O Facebook restringe a comunicação, transforma a privacidade em produto e comercializa toda ação de seus usuários. Ao mesmo tempo, há milhares, talvez milhões, de listas de e-mail, fóruns online, salas de bate-papo, blogs e wikis com área de comentários. Meu maior medo em relação ao Facebook é que ele tenta fechar a internet aberta. Sir Tim Berners-Lee, criador da World Wide Web, recentemente nos alertou sobre isso em um artigo. Berners-Lee não precisou pedir permissão a ninguém para criar a web e os criadores do Google não tiveram de pedir a ninguém para reprogramar um serviço controlado para transformá-lo em uma companhia multibilionária a partir de um alojamento universitário. A inovação depende da natureza aberta da internet, mas o Facebook está caminhando diariamente para transformá-la em um sistema fechado em que ele dita as regras.

A vigilância tecnológica e as violações de privacidade

Você acha que estes serviços ameaçam a privacidade? O conceito de privacidade mudou?
H.R.– Como colunista, sempre alertei sobre as ameaças à privacidade, há 15 anos. Muito pouca gente nos EUA parece se importar. Nós estávamos despreocupados – para não dizer ansiosos – em trocar nossa privacidade pela conveniência e, especialmente depois do 11 de Setembro, pela ilusão de segurança. Os avanços tecnológicos de hoje rastreiam todos os nossos passos online e constroem poderosos portfólios de informação sobre bilhões de pessoas. Câmeras de vídeo nas maiores cidades do mundo podem reconhecer rostos de pessoas específicas. E agora não tememos mais apenas o Estado – nossos vizinhos, ex-cônjuges, estranhos que ficam com raiva da gente no trânsito e anotam nossas placas, todos eles podem descobrir muita coisa sobre qualquer um de nós. Acho que está claro que a privacidade não significa mais o que significava antes das rede sociais. Quando o Facebook acionou seu feed de notícias – permitindo que você veja atualizações instantâneas sobre o que todas as pessoas na sua lista de amigos estão fazendo naquele momento –, as pessoas se sentiram ultrajadas e
houve uma espécie de revolta. Seus usuários sabiam que qualquer pessoa poderia ver o que elas haviam postado em seus perfis, mas a simples ideia de que estas informações poderiam ser publicadas em suas redes de forma instantânea aborreceu o senso de privacidade de muitas pessoas que já usavam a rede social. Mas agora o feed de notícias é aceito por todos. Os limites da privacidade vão mudando. Acho que é importante distinguir entre informações que podem ser constrangedoras para outras pessoas e aquelas que podem dar poder a outras pessoas em relação a nós mesmos. É muito tarde para parar essa vigilância tecnológica e as violações de privacidade promovida pelos governos e por iniciativas comerciais. O melhor que podemos fazer é educar as pessoas de forma que elas possam tomar as providências necessárias para proteger suas privacidades. Eis a razão de eu ter escrito o livro Net Smart, que ainda não tem uma edição no Brasil.

Incerteza crítica

Você acha que as comunidades online podem melhorar a vida fora da internet? O mundo digital pode fazer as pessoas se sentirem parte de uma comunidade mesmo quando não estão conectadas à internet?
H.R.– Sem dúvida. Sou um sobrevivente do câncer e posso garantir que isso funciona. Há pessoas no Brasil e em qualquer país do mundo que têm recebido muitos benefícios desta comunidade – informação necessária, apoio emocional, sensação de pertencimento – de comunidades virtuais. Uma pesquisa recente feita pelos sociólogos Barry Wellman, Keith Hampton, entre outros revelou que as pessoas que passam mais tempo se comunicando online com seus vizinhos também se envolvem mais com eles fora da internet. Esta questão era usada como jurisprudência por filósofos de escritório e juristas, mas pesquisas científicas recentes revelaram que a participação em comunidades online não é necessariamente alienante e em muitos casos pode trazer benefícios para a vida fora da vida conectada da internet.
Uma vez que todos estão online, a tendência para o futuro é que nos tornemos mais isolados ou gregários?
H.R.– Sei que as pessoas que realmente criam uma cultura na qual elas participam – seja comentando num blog, organizando uma wiki, participando de uma comunidade virtual ou outras centenas de formas de contribuir com a cultura online –, se veem como cidadãos ativos, comparados a pessoas que se veem apenas como consumidores passivos de uma cultura criada por outros. A incerteza crítica vem do fato de não sabermos a forma como este conteúdo será disseminado. As pessoas saberão que existem formas de participar? Estas habilidades não são ensinadas nas escolas, apesar de muitos ensinarem isso uns aos outros. De outra forma, não teríamos a web! Novamente, este elemento educacional foi um dos motivos pelo qual escrevi meu livro. Até criei um currículo para professores de universidade ensinarem essas habilidades.

“Multidões inteligentes não são necessariamente multidões sábias”

Como você acha que os levantes populares organizados online durante o ano passado vão evoluir nos próximos anos?
H.R.– Escrevi um livro sobre este fenômeno há dez anos e notei que a combinação entre telefonia móvel, internet e computador pessoal estava criando uma nova mídia que diminuiu bastante as barreiras para tornar a ação coletiva possível. Mesmo antes dos eventos que você mencionou, as eleições na Coreia e na Espanha mudaram devido ao uso deste tipo de mídia. As pessoas têm como organizar ações com pessoas que nunca tiveram contato. Da mesma forma que a imprensa escrita permitiu que as pessoas criassem democracias nas quais os cidadãos podiam decidir pelo futuro de seus governos, as tecnologias de hoje têm permitido novas formas de organização política. E não apenas política – a Wikipedia, a comunidade do software livre, a resposta voluntária a catástrofes e muitas outras formas de ação coletiva ainda estão apenas surgindo. Multidões inteligentes não são necessariamente multidões sábias, e as pessoas se organizam tanto para construir quanto para destruir coisas. De novo, acredito que a educação – o que as pessoas sabem sobre seus novos poderes – fará a diferença.

e mutação, que nos chega na velocidade de um piscar de olhos e como elas as estratégias estão sempre mudando, aperfeiçoando, descobrindo e abrindo novos nichos de mercado e novas técnicas de comunicação e persuasão.

[Alexandre Matias, do Estado de S.Paulo]

terça-feira, 17 de abril de 2012

Curso de Marketing Político Digital em Fortaleza


Como criar uma estratégia política vencedora diante dos novos paradigmas sociais e de comunicação?

Com o diferencial de uma visão estratégica do universo digital e seu impacto no processo democrático, Gabriel Rossi, considerado autoridade em marketing político na internet, oferece em parceria com associados  o Curso de Marketing Político Digital.

Realidade da comunicação com o público se transformou radicalmente na era digital: Agora, todos têm voz, são gestores de conteúdo em potencial e tudo que se fala na web fica registrado e é amplificado. Este paradigma afeta o modo como as organizações são moldadas, facilita e dá fôlego para movimentações sociais e tem inevitável e perene influência no processo democrático.
Os candidatos e figuras políticas estão percebendo a importância vital de estarem alinhados ao comportamento dos cidadãos
Pesquisa do Ibope confirma que a web já é a segunda fonte de informações sobre um candidato. Não há tempo a perder, pois gestão de imagem e atuação política online são processos contínuos, duradouros e cada vez mais determinantes.
O marketing político precisa se reinventar com base neste cenário, indo além das fórmulas genéricas e procedimentos batidos, com visão de conjuntura e perspectiva de longo prazo. A eleições dos próximos anos serão altamente influenciadas pela performance das campanhas tanto no online quanto no offline.
Para auxiliar lideranças políticas a lidar com os novos desafios e oportunidades do marketing moderno de forma abrangente e profissional, o estrategista Gabriel Rossi, considerado autoridade em marketing na internet, oferece em parceria com associados das áreas política e digital o Curso de Marketing Político Digital, focado em estratégias de vanguarda e real vantagem competitiva.

Compromisso: Apresentar conhecimento avançado, vanguardista e diferenciando do marketing na era digital, auxiliando políticos, assessores e profissionais do ramo a alcançarem o potencial máximo que o marketing e as estratégias digitais podem oferecer no segmento político, tanto em campanha quanto durante uma gestão.

Público-alvo: Políticos, assessores políticos, profissionais de marketing, publicitários, comunicadores e estudiosos.

Diferenciais:

- Foco  no marketing político digital de real vantagem competitiva;
- Visão de conjuntura ampla;
- Expertise em marketing e direito eleitoral;
- Fundamentação teórica sólida;
- Perspectivas vanguardistas do marketing político e eleitoral, desvencilhadas de modelos pré-moldados e fórmulas antigas sem eficácia estratégica;
- Uma equipe multidisciplinar presta suporte para o desenvolvimento de um curso abrangente e dinâmico.

Edições

O Curso de Marketing Político Digital oferecido pela Gabriel Rossi Consultoria terá edições em diversas cidades brasileiras, sempre trazendo  novidades e conceitos diferenciados do marketing apresentados por Gabriel Rossi e por parceiros com sólido know-how de estratégias digitais e políticas.



 Cronograma do Curso:
09:00 – 10:30: Marketing Digital (“Muito além do case Obama”)
10:30 – 11:00: Intervalo
11:00 – 13:00: Monitoramento de Redes Sociais e Netnografia
13:00 – 14:00: Almoço
14:00 – 16:30: Propaganda Eleitoral
16:30 – 17:00: Intervalo
17:00 – 19:00: Planejamento Estratégico e Tendências
Detalhes:

Data: 21 de abril de 2012
Horário: das 09h às 19h
Local: MAGNA PRAIA HOTEL
Av. Historiador Raimundo Girão, 1002 – Praia de Iracema
CEP. 60165-050 | Fortaleza – CE


Curso de Marketing Político Digital e Propaganda Eleitoral – Fortaleza
Valor: R$ 390,00 (Parcelamento em até 6 vezes)
Carga Horária: 8 horas


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Brasil pode perder fatia de mercado por culpa da burocracia governamental. Confiram matéria da Exame.

"O Brasil pode ficar para trás", afirma Michael Porter

Para Michael Porter, maior especialista mundial em competitividade, o Brasil e suas empresas só serão realmente fortes quando o governo deixar de representar um papel desastroso para a economia
Michael Porter: “A competitividade não tem de ser um jogo de soma zero, em que um país ganha quando o outro perde”

Boston - Nunca houve um momento tão favorável para economias emergentes na história como o atual. O crescimento, no entanto, pode mascarar fragilidades capazes de minar a prosperidade desses países nos próximos anos. O alerta é do americano Michael Porter, maior especialista em estratégia e competitividade do mundo.
Professor da Harvard Business School e diretor do ranking de competitividade das nações do Fórum Econômico Mundial, ele condena duramente o papel do governo brasileiro na criação de um ambiente de negócios eficiente.
Na sala de reuniões de seu escritório, localizado num pequeno prédio de dois andares no campus de Harvard, em Boston, Massachusetts, ele deu a seguinte entrevista a EXAME.  
EXAME - Diante da crise persistente que abate países ricos, pode-se dizer que a definição de competitividade mudou no mundo atual?
Michael Porter - Competitividade é um conceito atemporal e se apoia em duas condições básicas, no caso dos países. Em primeiro lugar, as empresas locais têm de conseguir competir em mercados globais. Ao mesmo tempo, o padrão de vida de seus habitantes tem de melhorar. Sem nenhuma dessas duas­ condições, o país não é competitivo. E somente o ganho de produtividade permite conciliá-las.
EXAME - Por que os países ricos perderam competitividade?
Michael Porter - Os mercados emergentes cresceram rapidamente e os países ricos não seguiram o mesmo ritmo de progresso. A globalização começou na década de 70 e os países ricos se deram bem no começo porque as nações emergentes eram ineficientes.
Ao mesmo tempo que as nações emergentes melhoraram, os países mais ricos passaram a enfrentar o envelhecimento da população — e o consequente aperto no orçamento, sobretudo nas áreas de saúde e previdência. A combinação dos dois fatores é um fenômeno relativamente novo no cenário mundial.
EXAME - Em sua opinião, os países emergentes estão aproveitando a oportunidade? 
Michael Porter - Economias emergentes, como o Brasil e alguns países da Ásia, beneficiaram-se de fatores como a explosão dos recursos naturais. Isso faz parecer que um país é próspero. A verdade é que a prosperidade que se vê muitas vezes não decorre do ganho de produtividade. Os países emergentes têm agora uma grande oportunidade. 
É mais fácil melhorar quando você é fraco, copiando os líderes. O envelhecimento  da população ainda não é um problema crítico. Mas a prosperidade não será automática e linear nos próximos anos. Não sei se a era de ouro vai durar mais três ou dez anos. Desafios vão surgir. Já temos um ajuste de salários. A diferença de salários entre trabalhadores indianos ou chineses e americanos já diminuiu. 
Michael Porter - Alguns países melhoraram fundamentos básicos, como educação, saúde e infraestrutura. Abriram seus mercados para investidores estrangeiros e criaram regras mais estáveis. A China, por exemplo, segue uma estratégia clara, mas que não coincide com o interesse de seus cidadãos.
Abusa de baixos salários e da intervenção excessiva do governo. Algumas dessas políticas funcionam no curto prazo, mas vão custar caro com o tempo. Esse cenário não vai permitir que a economia chinesa se torne vibrante no futuro.
EXAME - De que maneira essa postura pode ser um problema no futuro?
Michael Porter - Salários baixos são uma fonte temporária de competitividade. Salários baixos não constroem países competitivos. Esses países não deveriam se preocupar se os salários estão se tornando mais altos — eles deveriam deixá-los subir, porque isso vai criar prosperidade.
A China distorceu elementos da competitividade e criou um jogo de ganha-perde com o resto do mundo. Mas não será capaz de crescer no futuro com esse modelo. Sem proteção de propriedade intelectual, por exemplo, não existe inovação, e isso vai ser um problema. 
EXAME - Quais são os outros fatores que podem atrapalhar o crescimento de países emergentes?
Michael Porter - Em países como o Brasil, o papel do governo é, francamente, um desastre. O governo é muito burocrático. Os impostos são complexos e pesados. O Brasil tem muitos recursos, gente inovadora. Mas o peso do setor público atrasa o crescimento do país. 
O governo conquistou estabilidade macroeconômica, mas em termos microeconômicos não avançou muita coisa. O Brasil terá de se transformar nos próximos 20 anos. Ou então ficará para trás. Não é um problema para os próximos dois ou três anos. Mas será um problema daqui a dez ou 15 anos. 
EXAME - Qual é o melhor exemplo de país que tenha superado o excesso de burocracia?
Michael Porter - É difícil achar uma referência comparável ao Brasil, pelas suas dimensões. A Indonésia se livrou de problemas ao simplificar o governo. A Colômbia também fez rápido progresso no ambiente de negócios quando o governo passou a atrapalhar menos. 
Michael Porter - Negócios bem-sucedidos são a base de uma economia próspera. A indústria cria empregos, paga impostos e faz a economia crescer. Governos não podem criar riqueza. Negócios criam riqueza. E a maneira correta de garantir que isso aconteça não é com monopólio ou distorções. 
EXAME - Alguns países, inclusive o Brasil, têm recorrido a barreiras protecionistas para frear a concorrência estrangeira. O que o senhor acha dessa estratégia? 
Michael Porter - É algo tentador, mas quase nunca funciona. Uma vez que você começa a fazer isso é difícil parar. E, protegidos, os negócios locais não melhoram. Um dos casos raros em que o protecionismo resultou em melhora é o da Coreia, onde as companhias locais promovem um ambiente competitivo suficiente para gerar produtividade. No Japão, há evidência de maior sucesso em áreas não protegidas. E o desempenho de setores protegidos foi um fiasco. 
EXAME - A competição global pode se tornar um jogo em que todos ganham?
Michael Porter - A competitividade não é necessariamente um jogo de soma zero, em que um país ganha se o outro perde. A convivência sem barreiras pode ser produtiva para todos. Hoje, todo país precisa ter multinacionais — tanto empresas de fora em seu território quanto empresas locais com presença internacional.
Se você entende que produtividade é algo que define a competitividade, então você vai querer multinacionais de classe mundial em seu território. Essa é uma razão pela qual o protecionismo é uma ideia morta atualmente. 
EXAME - Ainda estamos distantes de uma recuperação da crise?
Michael Porter - Vivemos a mais lenta recuperação de uma crise na história americana. Num le­vantamento que fizemos na universidade, descobrimos que o declínio da competitividade americana começou no fim dos anos 90. Ainda temos uma massa de empreendedores fenomenal e centros tecnológicos de ponta.
É preciso, no entanto, recuperar fundamentos como infraestrutura e educação bá­si­ca. Há um grande caminho para as empresas americanas no que se refere também ao ganho de produtividade. Uma crise raramente decorre de forças impossíveis de conter. Quase sempre resulta de um conjunto de decisões. É uma questão de fazer as escolhas certas.